Uma delas foi inspirada nas imagens em baixo, e começei logo na altura a construir algumas partes estruturais (as barras ou hastes) que acabaram por ficar em cima das minhas bancadas de construção até ao final 2026...
Trata-se de uma estrutura tensegridade hiperboloide (também conhecida como tensegridade cilindrica ou prisma de tensegridade torcido).

Especificamente, esta peça é uma maquete artística intitulada "The Empty Chair / A Cadeira Vazia" (De lege stoel / Fauteuil), criada pelo artista de tensegridade Marcelo Pars.
As suas principais características são:
• Geometria - As barras rígidas ou de madeira são inclinadas e rotacionadas umas em relação às outras, formando uma superfície conhecida como um hiperboloide de uma folha.
• Mecânica - Nenhuma das barras rígidas se toca. Em vez disso, elas ficam totalmente suspensas e mantidas em perfeito equilíbrio por uma rede contínua de cordas tensionadas ao redor.
A matemática por trás de um prisma de tensegridade torcido (ou tensegridade cilíndrica) baseia-se no equilíbrio perfeito entre as forças de compressão das barras e as forças de tração dos cabos.
Um dos motivos para o "deixar andar" este projecto, foi que já na altura antecipava algumas dificuldades com a montagem e por isso foi ficando em cima da mesa à espera de dias com mais disponibilidade e paciência...
Outro motivo foi que de facto não tinha uma ideia totalmente clara sobre a forma como iria resolver o problema das multiplas ligações das barras umas às outras (tensores). A ideia inicial era arranjar maneira de aplicar os tensores todos com algum tipo fio (fosse ele realmente LEGO, linha de crochê, ou fio de nylon) de alguma forma presos às barras.
A dada altura pensei também em utilizer as cordas LEGO com studs nas extremidades (como esta por exemplo) mas sempre achei que teria uma grande dificuldade para tentar aplicar algum dos comprimentos disponiveis de forma a que funcionassem conforme pretendido (mais provavelmente seria virtualmente impossível ou os studs não teriam clutch power suficiente para materem tudo ligado). Por isso fiquei sempre mais inclinado para as linhas ou fio de nylon...
Depois de quase cinco anos em cima da mesa, e apenas a algumas horas de iniciar a viagem para o evento "Sanjoanense
Normalmete é sobre pressão que acabo por levar este tipo de projectos para a frente e a melhor forma de conseguir resultados, por vezes até inesperados. É uma característica que me acompanha na vida... desenrrascar in extremis à última da hora...
E este caso não fugiu à regra, de repente, do nada veio-me à ideia o Technic Link 1x6 ou semelhante, e logo pensei se não seria uma boa solução para as ligações mais curtas, pois as longas já tinha chegado à conclusão que só as conseguiria fazer com o tal fio de nylon. Precisava de bastantes peças destas, mas tinha ideia que seria bem capaz de as ter em quantidade suficiente, e na realidade verifiquei que tinha até bastante mais do que o necessário.
Estudei melhor a forma de as aplicar, fiz uns breves ensaios e rápidamente cheguei à conclusão que teria de montar tudo no próprio local de exposição i.e. no evento, pois o equilibrio da montagem seria bastante frágil e impossível de transportar montado. Ou seja, este é um MOC para mostrar uma única vez e nunca chegará a "MOC de Presença"
E lá saiu isto...
Dado a quantidade de hastes que pretendi utilizer para dar um efeito mais impactante, as dimensões das mesmas e as tensões envolvidas, esta é uma ligação algo frágil com tendência para se soltar sozinha...
Enfim, foi o cabo dos trabalhos... alguns colapsos da estrutura e bastante prerverança para conseguir montar tudo. Em dois locais... visto que a deslocação da mesa onde fiz a montagem inicial para a mesa de exposição, se revelou um desafio inultrapassável...

O resultado global ou conjunto tensegrity hyperboloid completo, ficou assim,

Repositório com as fotos todas aqui.
Dimensões: 38 x 38 x 54 studs [LxPxA]
Agora algumas notas gerais sobre o que é a tensegridade, que compilei a partir da internet:
A tensegridade (junção das palavras tensão e integridade) é um princípio estrutural baseado no equilíbrio simultâneo entre forças de tração (puxar) e compressão (empurrar).
O termo foi cunhado pelo arquiteto e inventor Buckminster Fuller na década de 1950/1960, com base no trabalho do escultor Kenneth Snelson.
Como funciona?
• Elementos de compressão (hastes): Peças rígidas (como barras de metal, madeira ou bambu) que sofrem empurrão/compressão. Elas não encostam diretamente umas nas outras.
• Elementos de tração (cabos ou cordas): Uma rede contínua de fios ou cabos flexíveis que puxam e mantêm as hastes suspensas e fixas no lugar.
• Resultado: A estrutura ganha grande estabilidade, leveza e resistência distribuindo o esforço mecânico por todo o sistema, parecendo que flutua ou desafia a gravidade.
Principais Aplicações
• Arquitetura e Engenharia: Utilizada em pontes, cúpulas geodésicas e pavilhões que necessitam de vãos livres com mínimo suporte interno.
• Biologia e Anatomia (Biotensegridade): O corpo humano funciona de forma semelhante; os ossos atuam como elementos de compressão e os músculos, tendões e fáscias funcionam como a rede de tração contínua que sustenta a postura e o movimento.
• Design e Arte: Esculturas flutuantes e mesinhas de decoração onde uma peça parece levitar presa apenas por fios tensionados.

