Já houve um tópico relacionado com o dilema real/virtual, não houve?
Eu vejo as coisas assim:
O LEGO é real - boa parte do encanto dos tijolinhos está em pegar neles, tacteá-los, sentir o "click" do encaixe, criar modelos (belos ou não, a beleza está nos olhos de cada um), apreciar a obra feita, rodá-la nas mãos, expô-la sobre uma mesa, brincar com as partes móveis...
O LDD, MLCAD e semelhantes, por muito bons que sejam no seu papel - que é afinal servirem de ferramentas de criatividade - são apenas transposições virtuais (e como tal, limitadas) da realidade.
Tal como uma fotografia, por mais bela que seja,
não é a realidade (comer a foto de uma maçã não deve ter um gosto muito agradável...), assim não podemos confundir LEGO (as peças) com software (as imagens das peças).
Claro que há vantagens na representação virtual - como já disseram aqui, no computador eu posso "construir" modelos sem limitações de número, cor ou tipo de peças. Posso - como várias vezes tenho feito - experimentar se um modelo "funciona" visualmente antes de saltar para o BrickLink a comprar as peças para o construir... e lá está: a satisfação completa (pelo menos no meu caso) só surge
depois do modelo realmente construído, não a contemplar simplesmente o ecrã e a pensar: "será que fica bem? Aquelas peças daquela forma seguram-se, ou ficará muito frágil? O bloco roda sem limitações?"
Na minha modesta opinião, repito, o software é uma ferramenta de experimentação indispensável ao processo de criação, e também - não menos importante - um modo inestimável de documentar os passos da construção (sem o que seria muitíssimo difícil reconstruir um MOC de raiz, como por vezes é preciso) - mas nada mais do que isso.
Por isso, e porque não pretendo roubar mérito ao virtual embora reconheça que "
o real é que é", sou
a favor da separação - um excelente modelo real não deve tirar o primeiro lugar a um excelente modelo virtual nem o contrário.
Tal como nos festivais de cinema por exemplo, em que concorrem e há vencedores em várias categorias, sou da opinião de que deve haver concursos separados para ambas as modalidades - isto sem prejuízo de, numa espécie de "finalíssima", se poder escolher entre um ou outro dos dois vencedores.
Desculpem a prosa interminável...
