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Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 19:07
por JMCampos
[align=center]UMA ANEDOTA TRISTE[/align]

Segundo parece, uma das grandes vantagens do novo Acordo Ortográfico está em que se deixam de escrever as letras que não se lêem.

Que maravilha! Que grande vantagem! Muito bem, assim simplifica-se a escrita, não é verdade? Pois será...

Pela minha parte, estou disposto a seguir esta regra – mas só se for sem excepções, porque as excepções afinal só complicam...

Não vai ser certamente como os nossos “irmãos” editores brasileiros (que por acaso até nem terão influenciado em nada esta aberração – quero dizer,  inovação – não, nada, eles até nem o queriam, porque a coisa não serve de todo os seus interesses) conseguiram impor à chamada Língua Materna (à Língua de Camões, dizem eles – ah, Luís, Luís, pára por favor de dar voltas no teu mausoléu!), graças à conivência, inépcia e ignorância de meia-dúzia de iluminados do nosso pequenino rectângulo – onde umas dezenas de mandantes, quais carneiros obedientes e acéfalos, logo se apressaram a seguir e a ordenar a todo o rebanho que a siga também.

Vamos lá, então. Comecemos a escrever como nos ditam agora esses crânios omniscientes. Mas, repito, sem excepções!


Sim, sem exceções.

A partir de oje, vou sempre elminar as letras qe não se lêem, porqe o qe dstinge o omem suprior do omem infrior é a sua capacidade de adatação, sem qe pra iso ele se torne um mero espetador dos fatos qe se pasam, qer cá no País (não, não, acho qe agora é em minúsculas!) no país, qer noutros lugares abitados pela umanidade – lugares mais secos (como no egito, onde abitam os egícios), lugares mais úmidos (países tropicais tipo onduras ou vnzuela), ou até em regiões mais frias e talvez menos ospitaleiras, como na olanda ou na ungria.

Á qem nos diga qe o importante aqi, o correto, é simplficar. Mas não deixemos qe nos atirem areia ou outros objetos abjetos para os olhos. Já não intresam os aspetos culturais ou istóricos; não tenhamos dúvidas – o qe é preciso é agradar ao lóbi das grandes editoras da língua portugesa (leia-se do dialeto brasileiro). Apenas por esa tão nobre causa se resolveu asasinar em olocausto uma língua com novcentos anos de evolução!

Simplficar? Sim, pois claro, oviamente! Agora pasa a ser muito (não, não, á qe escrever como se fala!) passa a ser muinto mais simples escrever umildemente ao onrado clínico de um qualqer ospital, dizendo-lhe qe temos um problema de ótica. Ótica? De ouvido? Não, doutor, ótica dos olhos! Ah, sim, de ótica, já podia ter dito! Percebi qe era de ótica... temos de refazer esa opração, mas qe contratempo (ou será “contra-tempo”, porqe também á a qestão dos ífenes, os quais numas vezes dsaparecem e noutras aparecem – só pra simplficar). Ainda bem que não era nada na traqeia ou no trato intstinal, tipo num esfínter ou mesmo no reto...

Igualmente será muinto mais prático pasarmos a chamar ao pronto-a-vestir (ou será “prontavestir”?) um fato consumado, isto é, um fato que já está terminado e pronto a usar pelos clientes abituais do chopinge, tanto omens como snhoras, mninos ou mninas.

Ficamos é um pouco confusos quando nos dizem qe foi consegido um pato de nãoagressão entre dois povos – tratarseá efetivamente de um pato escrito e asinado, ou simplesmente de um pato asado, qe ambos acordaram confecionar e degustar em conjunto? E se o jantar foi ao som de música, o qe estava a tocar era uma orqestra, ou apenas um disco compato? Dá pra ficar cético quanto à qestão...

Vamos lá então! Entremos em ação, defendamos e simplfiqemos com caráter alegre e convito a nosa (deles) língua! Nada de escrever as letras qe não se lêem! Nada de utlizar ífenes, rasgemse os ífenes, deixemonos de darlhes uso defnitivamente, deitêmolos fora! Escrevamse em minúsculas não só os nomes dos meses, mas todos os nomes próprios (nomes próprios? qem eram eses, afinal? todos os nomes são próprios, ora esa, impróprios só efetivamente os palavrões!) – jesus, maria, josé, alentejo, portugal, europa! Direto, correto e simples, muinto mais direto, muinto mais correto, muinto mais simples!


Agora mais a sério: alguém vai prender quem não quiser aderir a essa anedota triste a que chamam Aborto (não, não! Acordo! Acordo!) Acordo Ortográfico? Sim? Prendem as pessoas?

Então, se for por isso, prendam-me, por favor! Obriguem-me a aderir, se forem capazes!

[align=right]João Campos
(Praticante de Língua Portuguesa há mais de meio século)[/align]

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 19:25
por gads
Gostei da "refleção"!
Também sou dos que anda com dificuldades em adaptar-se à nova realidade. É demasiado estranho para mim (estarei a ficar cota?)

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 19:34
por Conchas
Do like me! Write in English... ;D

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 20:07
por daniel-alex
[quote="Conchas"]
Do like me! Write in English... ;D
[/quote]
I really like that one. Might not be so good for everybody, though. :D

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 21:00
por Jollyroger
[quote="daniel-alex"]
[quote="Conchas"]
Do like me! Write in English... ;D
[/quote]
I really like that one. Might not be so good for everybody, though. :D
[/quote]

Mal por mal, é preferível escrever mau Inglês do que mau Português, sempre há desculpa.

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 21:57
por ruialmeida
;) ó Joao em ves de escreveres, fás mas é umas construçoes pá  :fixe:

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:05
por csiquet
snhoras
snhoras?

Cnhoras pfavor

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:09
por AVCampos
"Cnhoras" não! Quando muinto, "çnhoras"...

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:13
por spacemarine
As duas formas de escrita estão correctas, não vale a pena entrarmos pelo caminho dos coitadinhos. Quanto ao resto, o povo de Camões constitui o bonito número de ainda não 11.000.000., os tipos do oitro  :D lado do Atlântico já ultrapassaram a fasquia dos 190.000.000  :-* E esta hein?...

Na cidade de São Paulo, cidade de 11.000.000 de habitantes, a maior cidade do Mundo onde se fala o português, existe desde há vários anos O Museu da Lingua Portuguesa, http://www.museulinguaportuguesa.org.br/. Em Portugal nunca se constituiu um museu desse tipo...  :-\

Afinal quem é que, no séc XXI e já não no séc. XVI, será o sinhore da língua Portuguesa?

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:18
por Jollyroger
E depois?!? Os Americanos também têm o Inglês "deles", e nenhum mal vem daí ao mundo.

Ninguém quer impor o nosso Português em lado nenhum, daí a termos de sofrer uma evolução (rir à gargalhada) artificial por causa de interesses económicos, vai outro mundo.

Qualquer língua está em permanente evolução, mas não costuma ser ditada por corrupção.

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:18
por AVCampos
[quote="spacemarine"]
o povo de Camões constitui o bonito número de ainda não 11.000.000., os tipos do oitro  :D lado do Atlântico já ultrapassaram a fasquia dos 190.000.000  :-* E esta hein?...[/quote]
É capaz de haver uma proporção desse género entre britânicos e norte-americanos, e não é por isso que se vai passar a escrever "color" e "energize" em terras da Ti Isabel... ::)

[edit] Arrgh caraças, que me estão sempre a ultrapassar! :P :D

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:23
por spacemarine
[quote="AVCampos"]
[quote="spacemarine"]
o povo de Camões constitui o bonito número de ainda não 11.000.000., os tipos do oitro  :D lado do Atlântico já ultrapassaram a fasquia dos 190.000.000  :-* E esta hein?...[/quote]
É capaz de haver uma proporção desse género entre britânicos e norte-americanos, e não é por isso que se vai passar a escrever "color" e "energize" em terras da Ti Isabel... ::)

[edit] Arrgh caraças, que me estão sempre a ultrapassar! :P :D
[/quote]

Provávelmente as duas formas de escrita dessas duas palavras estão correctas, em terras da Ti Isabel  ::) mas sobre isso o nosso Rei saberá melhor explicar...

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:24
por spacemarine
[quote="Jollyroger"]

Qualquer língua está em permanente evolução, mas não costuma ser ditada por corrupção.
[/quote]


??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ???

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:38
por Jollyroger
[quote="spacemarine"]
[quote="Jollyroger"]

Qualquer língua está em permanente evolução, mas não costuma ser ditada por corrupção.
[/quote]


??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ??? ???
[/quote]

interesses económicos ..... poder político ao seu serviço .... imaginação fértil ... (ah, esta não, já é minha)

Re: Uma anedota triste

Enviado: 21 fev 2012, 22:43
por PocasNuckie
Eu escrevo como aprendi a escrever, estou-me marimbando para o AO.

Pocas