Boas! Não tinha ainda respondido neste tópico, mas podes encontrar a minha resposta mais "comprida" nesta mensagem:
http://www.plug.pt/forum/http://localho ... p?p=29#p29
Mas para melhorar o texto, cá cai:
Vasco, 29 anos, Vale de Santarém
LEGO começou na minha casa cerca dos meus 6 anos, e desde essa altura não havia outro brinquedo que me interessasse. Todas as prendas que eu pudesse escolher, a escolha era sempre a mesma...
1991: Foi por volta meus 12 anos de idade que começaram a não querer dar-me LEGO como prenda, embora fosse o que eu continuava a pedir. Apesar de alguma contestação, a minha vontade prevaleceu. Durante os anos seguintes comecei também a ganhar outros interesses (música, desporto, raparigas, etc), mas apesar disso o LEGO era uma constante que nunca se alterou.
Nesta altura, participei num concurso de construções de LEGO, patrocinada pela própria marca, numa loja onde era cliente assíduo. Obtive um 4º lugar, mas o "pódio" foi duvidoso (no terceiro lugar ficou a filha de uma das pessoas do júri).
A "luta" constante (com os pais) por espaço e arrumação no quarto para lá manter a colecção agravou-se, mas ainda assim eu conseguia manter o LEGO por lá, embora a muito custo e muitas cedências.
Embora o meu sentimento não se alterasse, havia por parte dos pais a ideia que "já não tinha idade para LEGO".
Na mesma altura muitas das lojas que eu era cliente assíduo, começaram a ter cada vez menos LEGO, e algumas "encomendas" que fazia vinham trocadas, ou demoravam eternidades a chegar. O exemplo disso que mais recordo foi a da nave
6973, encomendada com meses de antecedência. Para meu espanto quando chego à loja, estava lá a
6983, com o lojista a dizer-me que foi a LEGO que mandou esta e não o deixavam trocar...
1994-1996: a LEGO tinha dos temas que eu mais gostava. Era com agrado que olhava para o catálogo, com desejo de comprar Piratas, Western, ... Mas era com desagrado que chegava às lojas e nada encontrava... O facto de não encontrar os sets desejados fez com que deixasse de os comprar.
De vez em quando encontrava um dos sets "desejados", gastava o "mealheiro" todo nele sem hesitar

.
Comboios, barcos "grandes" e o forte Western eram difíceis de encontrar (por isso nunca tive nenhum nessa altura).
Na mesma altura começaram a aparecer coisas "esquisitas" nos catálogos (ex: Time Cruisers) que me "assustaram"...
1998-2000: Foi também a altura em que a LEGO mudou de "atitude", que fez com que eu passasse a olhar para os catálogos com "nariz torto", por algumas aberrações (juniorizações) e outras coisas que eu olhava e ficava apreensivo.
Mais violência, mais agressividade... menos "céus azuis" nas caixas, coisas demasiado bélicas. O brinquedo passou de algo "positivo" para algo "agressivo" mais ao estilo "action men").
O "futebolismo" foi também algo que me desagradou. O desaparecimento do "SPACE", em deterimento dos "insectoids" foi algo desastroso para mim... A cidade parecia descaracterizada, esquisita, algo incompatível com tudo o que tinha até então.
Os aventurers era das poucas coisas que salvavam desta altura.
Na mesma altura
era praticamente impossível de comprar LEGO, sem uma viagem a uma grande cidade. Todos os pontos de venda habituais (livrarias /papelarias) deixaram de ter LEGO. No meu caso, se não me deslocasse a Lisboa, era impossível adquirir LEGO. Mesmo nos pontos onde havia (Toys R'Us, grandes superfícies comerciais) a diversidade dos items era pouca ou nenhuma!
Esta altura coincidiu também com a minha entrada no mundo universitário. Como estudei longe de casa, não levei o LEGO comigo. Tinha um primo pequeno (4 anos) ao qual, na minha ausência, tudo disponibilizavam sem qualquer limite nem regra. Por querer ter a colecção conservada, montada e especialmente não partida nem mordida, fui obrigado a guardar tudo dentro de um caixote , e arrumá-lo na cave. Tudo somado, deixei de ter LEGO "à mão" para poder brincar, e assim a minha idade "cinzenta"(gray) começou. Não lhe chamo "negra"(dark) porque ainda assim de vez em quando comprava um set, e brincava com lego em "papel": desenhava coisas para um dia construir, planeava cidades com baseplates, relembrando o que tinha no caixote arrumado.
2005: Num passeio ocasional por uma rua estreita onde não era costume andar, descobri um cartaz gigante com um Santa Fe em LEGO... Era a última loja em Santarém onde ainda se podia comprar LEGO. Rapidamente entrei e conheci pessoalmente os donos, com quem conversei sobre LEGO e o facto de nunca mais ter encontrado praticamente nada à venda. Fiquei a saber que a filha pertencia à PLUG. Foi ela que me arranjou uma lista de sites sobre o coleccionismo (ex: classic-castle), compras e vendas de peças (Bricklink), etc, e falou-me da associação. Recomendou-me também pesquisar o ebay para lotes de "kilo" e sets já não fabricados.
No final desse verão, eu e o meu irmão tinhamos já comprado para cada um, a partir do ebay, mais de 50 kilos em lotes, mais outros conjuntos variados!... Isto acabou com a dark age do meu irmão, e me tirou da "sombra" onde eu andava...!
Em dezembro do mesmo ano participei pela primeira vez numa PLUGFEST (2005e) e assim me assumi como AFOL e me juntei à PLUG. Desde então a minha colecção cresceu dos 50 sets "originais" e um pequeno caixote de peças, para mais de 700 sets e umas centenas de kilo em peças, divididas e distribuídas por gavetas e caixas.